Archive for October, 2011

Você quer ser diplomata?

O que é o concurso do Instituto Rio Branco?
É o concurso por meio do qual, se aprovado, vc entra para o Instituto
Rio Branco.

Onde posso obter informações sobre o concurso?
Google, como todo o resto. Talvez na Wikipedia.

Que história é essa de inglês não ser mais obrigatório?
É uma estória que circulou por aí, mas não é verdade.

Preciso saber falar francês?
Pas du tout.

Quais são os requisitos para passar no concurso?
Diploma, CPF, título, e pouca vergonha na cara (ops! empáfia).

Quanto tempo devo estudar?
O tempo que for preciso para passar ou desistir.

Preciso ler toda a bibliografia listada no Guia de Estudo?
Precisar, precisar mesmo, você só precisa de amor.

Que matérias devo priorizar nos meus estudos?
Primeiramente, aquela que caem na prova. Depois, aquelas em que vc é
particularmente ruim.

É possível passar estudando só as apostilas da Funag?
Se o astronauta brasileiro é possível, tudo é possível.

Que livros você recomenda que eu estude?
“Como ganhar dinheiro sem trabalhar”. “Como ser feliz no trabalho”
“Dignidade profissional”
“Como encontrar minha verdadeira vocação.”

Você tem alguma dica para a hora de estudar?
Mantenha os olhos abertos.

Você tem alguma dica para a hora de fazer as provas?
Responda as questões da melhor forma possível, dentro do tempo disponível.
E mantenha os olhos abertos.

Devo fazer um curso preparatório?
Dever, dever mesmo, vc só deve reconsiderar sua opção profissional.

O que é melhor? Fazer um curso completo ou contratar professores
particulares individualmente?
Os donos de cursinho acham que é melhor fazer um curso completo.
Os professores particulares acham que não.

Quais são os cursos preparatórios disponíveis em minha cidade?
Pergunte às pessoas de sua cidade.

Que curso você recomenda?
Recomendo o curso que me pague algum por fora para que eu o recomende.

Quanto tempo dura o curso do Rio Branco? (PROFA-I)
Dura o tempo que “eles” acharem que deve durar.

Eu ganharei uma bolsa durante o curso?
Não, talvez uma pasta em algumas daquelas palestras do IPRI…
(tá, essa é uma sacação cretina)

Há aulas de línguas?
Depende do seu conceito de “aulas”.

Quais são as matérias estudadas?
Estudadas, estudadas mesmo, nenhuma. Mas as que constam do programa
são geralmente as mesmas que vc já estudou à exaustão antes do
concurso. Isso pra vc desaprender direitinho.

Como assim, “Mestrado em Diplomacia”?
Como assim “o Brad abandonou a Angelina?”

Como foi, pra você, estudar no Rio Branco?
HAHAHAHAHAHAHAHAHA.
Foi bom.

Você gostou das aulas?
Não.

É possível ser reprovado?
Tudo é possível.

Poderei, durante o Rio Branco ou depois dele, exercer alguma outra
atividade remunerada na iniciativa privada?
Como disse antes, se o Brasil pode mandar o astronauta brasileiro ao
espaço, tudo mais é possível.
Aliás, temos vários exemplos no Itamaraty: tem gente que ganha
dinheiro vendendo vistos; outros fazendo “esquemas” com a Brasif;
outros, ainda, tentam ganhar uma grana em cima da Aetna
(hahahahaha!!!)

E haverá tempo disponível para isso?
Sim, ainda mais se vc trabalhar na DASC, ou em outra dessas divisões inúteis.

Durante o curso, há quantos meses de férias por ano?
12, mas num deles vc ganha 30% a mais.

Terei um estágio no exterior ao fim do Rio Branco? Por quanto tempo? E
o PROFA-II?
Pra onde vamos? De onde viemos? Qual o sentido da vida?
Há perguntas para as quais não há resposta, jovem padawan.

O que “faz” um diplomata?
Inteligência, perseverança, empáfia, orgulho, e um toque de viadagem.

Qual a diferença entre embaixada e consulado? O diplomata trabalha nos dois?
A Embaixada é onde vc faz um monte de coisa inútil e sai bem na fita.
Um Consulado é onde vc faz um monte de coisa útil e sai mal. O
diplomata esperto trabalha só em um, o trouxa só no outro.

Como é o dia a dia de um diplomata?
Ah, vejamos. Acordar, fazer massagem capilar, fazer as unhas; ir no
Daniel Briand tomar café; chegar no trabalho, socializar no Casper’s,
ler o jornal, esculhambar algum contínuo, delegar serviço aos ofchans.
Almoçar no Universal Diner, tomar um café Cristina, assinar um
mini-memo, cuidar do seu PPV, puxar o saco do seu chefe; ligar pro seu
colega em Viena; ir em um coquetel no Itamaraty ou um jantar em
Embaixada, levar seu grande amor pra passear de lancha, pegar um
cineminha na Academia de Tênis, fazer um sexo maravilhoso, e dormir.

Tá bom, como é o dia-a-dia de um diplomata quando no Brasil?
Ahh, ele mente o tempo todo.

E no exterior?
Mesma coisa, mas os lugares, pessoas e programas que ele inventa são
mais chiques.

Qual é o “perfil” para ser diplomata?
Se vc fala sozinho e come cocô, já está a meio caminho andado.

Quanto tempo se passa no exterior?
Entre abril de 2006 e abril de 2007, mesmo no exterior, se passa um ano.
Isso vale pra os outros anos também.

Se eu não quiser, serei obrigado a me mudar para um determinado país?
Se vc não quiser, será obrigado a reconsiderar seus planos de promoção.

Como é, então, que escolho os países onde vou servir?
Você consulta seus amigos sobre onde eles querem passar suas próximas
férias, e escolhe.

Como é a hierarquia da carreira?
É foda.

Se virar diplomata, vou chegar a ser embaixador? Quando?
Fazendo perguntas estúpidas como essa, believe me, vc não vira diplomata.

Quanto ganha um diplomata?
Mais que um ofchan, menos que a Wanessa Camargo.

Quem é você?
Eu sou DI-PLO-MA-TA.

Quando ingressamos no Rio Branco, o Itamaraty nos providencia
residência em Brasília?
Providencia, sim.

O MRE fornece alguma passagem aérea para minha cidade natal,
periodicamente, ou sempre que quiser visitar meus familiares terei de
arcar com as despesas de passagem?
Fornece, com certeza!
O Itamaraty também providencia um carro com bancos de couro, CD Player
e motorista, jujubas da cor que vc quiser, 100 toalhas brancas de fio
egípcio por dia, um(a) ofchan gatíssimo(a) para assistente, cadeiras
de design italiano e, quem sabe, um seguro de saúde que cubra o
tratamento dos seus delírios alucinatórios.

Posso usar tatuagem?
Eles tatuam o código do Terceiro Secretário nas suas costas assim que
vc entra. “Paris!” em letras garrafais.

[autoria (in)felizmente desconhecida]

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Amigas

Quero falar sobre as mulheres. Não de todas, mas de algumas que tenho escutado com certa frequência e com as quais compartilho muitas coisas. Na verdade, acho que esse texto também pode ser útil para alguns homens.

Antes que alguém se identifique, aviso que é um apanhado geral sobre casos de várias amigas, situações que aparecem e lembram igualmente situações pelas quais eu também já passei. É muito impressionante a quantidade de amigas que eu escuto se questionando se estão no caminho “certo” sobre o ser mulher. Amigas já maduras (até pelo tipo de questionamento) que deram um passo além, que estão longe de um clichê de feminilidade e que não precisam demonstrá-la mantendo uma constante de vestimentas ditas femininas ou interesses e comportamentos considerados como tais. Essas mulheres apresentam, da mesma forma, fragilidade, porque isso não é privilégio de algum gênero. No entanto, parece que quando não relacionada a certos modelos, a fragilidade  - que fica associada à feminilidade – não é reconhecida por alguns homens.

Claro que a questão nunca vem só de um lado. O problema parece ser que é mais comum, de alguma forma, os homens comprarem um discurso de que eles devem ser potentes e seguros o tempo todo, e que só há espaço para um dos dois ser assim.  Se ele demonstrar fragilidade, ele mesmo vai-se considerar menos homem. Nisso, quando aparece alguma mulher que lhe desperta o desejo – justamente porque a inteligência também é um afrodisíaco -, mas com o tempo ele percebe que ela não é necessariamente submissa, começa uma sensação de mal-estar, como se aquilo pudesse  tirar-lhe o lugar. E aí se inicia uma confusão sem fim, porque é comum que a mulher, ao perceber que o cara se coloca como dono da verdade, comece justamente a tentar deixar-lhe impotente, como se dissesse, escuta, você quer enganar quem? E o problema é que, em vez de ela (como seres mais evoluídos que somos, hehe) perceber que tal ação masculina na verdade já é resposta a inseguranças que justamente ele não está a fim de ver – e agir de forma a lidar de uma maneira mais natural com a falta e a impotência que cada um de nós carrega -, termina por se sentir também diminuída, a querer escancarar todas as faltas do companheiro. Muitas vezes tentamos nos assemelhar aos homens nos seus piores defeitos, e tornamo-nos potentes acusando a impotência alheia. Vira uma briga de poder sem fim, como se de fato houvesse um objeto em jogo.

É muito muito difícil se relacionar. É muito difícil abrir mão de uma fantasia de consistência e dar ao outro justamente aquilo que me falta: um pouco de amor, um pouco de carinho, um pouco de respeito e compreensão de que as coisas são faltantes dos dois lados.  Dói em mim ver amigas que são lindas, são inteligentes e não estão no senso comum de buscar desesperadamente um casamento ou uma relação que funcione como um tapa-buraco para a castração, acharem-se feias, burras e questionarem-se se deveriam ser diferentes (num sentido ruim), se não deveriam logo se adaptarem àquilo que é esperado pela sociedade. Felizmente, por mais que o desejo de amor e aceitação seja muito forte em cada uma de nós, ele não é suficiente para passar por cima de uma ética e de uma consciência própria que nos faz seguir em frente do jeito que somos: SINGULARES. Não dá pra voltar atrás. E isso é entender, finalmente, que a outra não é mais mulher que eu porque aquele cara babaca disse que ela, sim, é mulher.

Na verdade, a questão pode ser invertida: será que ele só se sente homem ao lado de mulheres com certos traços fixos? Principalmente traços que não ameacem o seu posto de senhor do saber.  Ou ele mesmo se mantém em alguns traços fixos? Ouvi um caso engraçado recentemente de dois homens na Livraria Cultura, conversando sobre uma matéria que afirmava que   90% dos homens  casados trairiam sua esposa com a Ellen Roche. Um deles disse: “poxa,  imagina que a Ellen Roche chegue em você, você vai virar e falar – então, não vai dar, sou casado… claro que não!” Tudo bem, eu concordo que a Ellen Roche é de fato um caso raro, a questão não é um julgamento moral a respeito de que decisão ele tomaria. O fato é que é impressionante o tanto de homens que realmente acreditam que um dia a Ellen Roche chegaria até eles com um convite do tipo! E como isso vira desculpa pra não encarar uma relação – não encarar a si. Muitos homens acham que estar com uma mulher é abrir mão de todas as outras, como se todas as outras estivessem realmente loucas por eles.

Enfim, esse texto é só um desabafo de carinho pra essas minhas amigas que em algum momento perdem a fé no seu próprio trajeto. E pra dizer que uma relação pode não ser uma competição. O relacionamento vem quando você confia, sem medo, a sua falta ao outro, e você tampouco recebe a do seu companheiro  como ameaça, mas como confiança. Quando o outro deixa de ser o culpado por aquilo que você não tem (seja desejo eterno,  potência, etc etc), mas o confidente daquilo que lhe falta. Quando você pode respirar aliviada por sentir o amor como alguma forma de suplência às loucuras do dia a dia.

Amigas, por favor, não ousem mudar. Vocês não são menos mulheres por terem convivido com alguns homens que infelizmente se julgam menos homens.  Homens que também acreditam que exista o homem ideal, o pai da horda. Provavelmente, eles não tiveram uma mãe muito bacana (risos), mas, enfim, falar sobre o sofrimento das mães daria outro texto. E não se igualem nos defeitos, há laços melhores a serem feitos. Vocês são motivos da minha admiração e são muito companheiras nessa árdua jornada em pleno século XXI.

Não percam a fé de serem especiais com a sua singularidade.  Amor vem de amor, já dizia o poeta.

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