Reticências
November 7, 2009
Gosto de ler Mia Couto e ver como ele consegue usar um substantivo ou adjetivo de forma derivada e criar um verbo que expressa uma ação que eu nunca havia nomeado. Ele diz, por exemplo, que uma pessoa pode assozinhar-se. Ou então, que quando dois se amam, eles se amilagram. É tão bonito que me faz pensar que às vezes não é que usamos muitas palavras pra dizer o que sentimos, mas na verdade dizemos muito porque estamos em busca da palavra certa. A ausência é o que marca o sentido, a busca. “Tem mais presença em mim o que me falta”, diz Manoel de Barros.
Acho, por isso, muito expressivo o sinal de reticências. Elas expressam a omissão de algo que poderia ser escrito, mas que não o foi. Expressam um ‘muito mais’ .Tem seu lado bom, pois ficamos a imaginar o que estava pra ser dito. Tem seu lado ruim, pois nunca descobriremos. Tacere é “calar”, permanecer em silêncio. Reticere, por sua vez, é calar alguma coisa. Alguma coisa que poderia. Mas, poderia mesmo?
O pior tempo verbal é o futuro do pretérito. Esse tempo das coisas certas mas que não foram… Indicativo com ar de subjuntivo.

Enquanto isso, em algum café.
October 23, 2009
Sexta-feira, tenho que esperar o horário do meu rodízio. E aí, um texto novo se fez. Os textos aparecem em mim, e quando nem percebo, estão prontos. É inesperado. Este que aqui segue é da série que agrada aos sensíveis, um elogio ao amor.
A definição de amor de que mais gosto é aquela de Guimarães Rosa, que diz que qualquer amor é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura. O único problema da frase é o pronome indefinido. O que seria qualquer amor?
Amor não é qualquer. Ou achar qualquer amor não é uma tarefa tão simples assim. Bem, Guimarães não disse que era simples, mas o pronome pode dar um tom leviano ao tema. Às vezes, temos a impressão de que tivemos uma história de amor, e nos confundimos. É muito difícil saber o quanto podemos aceitar do outro, quais limites pôr, o que eu posso dizer a ele/ a ela sobre mim – porque eu não sei que uso ele/ela fará disso. Se você questiona isso em uma relação no presente, já é um ótimo motivo pra desconfiar da relação que teve. [Como já convivo muito com diplomatas e aspirantes à carreira, já me dou o direito de me autocitar. Escrevi sobre o engano em uns posts abaixo, em um texto chamado As mil faces do amor.]
Amor é um perder-se. Mas, ao contrário do que pode parecer, não é um perder-se ruim. É um perder-se permitido, desejado. Há diferença entre o perder-se por escolha e o perder-se por se achar sem opção. Sim, é verdade que a nossa sociedade reifica os sujeitos, mas também é provável que apenas espelhe as relações pessoais em um modus operandi. Sempre penso que construímos nosso mundo conforme o modelo que concebemos dele. Mesmo por que, o que seria um mundo objetivo, se não as ficções que dele criamos? Isso não deslegitima as relações desiguais e opressivas a que estamos submetidos, mas, da mesma forma, eu estou inserida em um contexto de classe e sei que, na minha classe, média, pequeno burguesa, eu posso saber quando faço uso dessas “armas” externas, prontas para serem engatilhadas: por mim. Muitas vezes, antes de acusar o outro, é preciso perceber que, se caímos na posição de objeto não concedido, e os motivos para tal feito são inúmeros (não aprendemos a ser com teoria), é por estar preso a uma posição em que, embora dolorida, ou porque dolorida, é prazerosa. Talvez a maneira, ainda limitada, de começar a se pôr um poder de escolha. Um jeito oposto de começar a perceber a própria posição subjetiva.
Na verdade, somos sujeitos o tempo todo. Sujeitos desejantes de gozo, de prazer, em qualquer possibilidade de relação. Esta é a nossa condição, e com ela temos muitas possibilidades. O amor, no entanto, é um outro tipo de sentir. Esta eu diria que é a questão – com qual sentir você se satisfaz?
O amor é um perder-se, raro, em que você pode abrir mão exatamente de se dizer sujeito, em que você tem de se afirmar, marcar seu espaço, sua identidade, e pode, em vez de dizer, vivenciar isso. Esse é o problema. Amor demora a vir, é privilégio dos maduros, porque também demora a vir o perceber-se sujeito, perceber a sua maneira de sentir e com ela estar em paz. O amor é um descanso na alienação, é um perder-se porque aquele que está comigo sabe qual é o meu melhor. O outro sabe meu bem, bem que, às vezes, nem eu ainda sei. Isso é muito raro, confiar no outro a ponto de relaxar, de saber que se está em boas mãos. A defensiva, justamente porque demoramos a saber de nós e do outro, cria relações neuróticas em que o gozo fica girando em torno de uma masturbação, em vez de troca.
O querer perder-se implica, antes de tudo, um poder perder-se. Poder que é pressuposto de eu me saber sujeito, de eu saber que não é este perder-se que vai desconstituir minha identidade, tão cara, tão demorada a se firmar e em constante mutação. A autonomia é o que permite eu não me apoiar na identidade alheia, eu saber que prossigo ainda que aquele que amo se vá, embora eu não queira – porque aquele é o que me permite descansar.
Amor é um descanso na loucura diária a que estamos submetidos por nós mesmos. Como disse Guimarães, em outra definição, Amor vem de amor. Eu acrescento: amor só vem de amor, por isso, não é qualquer. Não é tanta gente assim que sabe de nós, e da qual nós sabemos, mutuamente. Aliás, arrisco dizer que amor, de verdade, é sempre recíproco – e, por tudo isso, raro. Só um homem nascido em Cordisburgo teria tal definição.

Postagem extraordinária
October 23, 2009
Antes de eu escrever o tal post sobre o Anticristo – que me propus a fazer no fim de semana -, preciso divulgar uma história BIZARRA que aconteceu, com fins ainda mais bizarros.
Tenho alguns alunos que estão prestando o vestibular. Quatro meninas de fora de SP moram em uma pensão na Liberdade, na Tamandaré. Já estavam em casa na sexta passada, por volta da hora do almoço, quando ouviram um barulho de briga na rua, foram à janela e viram 2 rapazes batendo em um mendigo. Bateram até o cara morrer. Era desses mendigos que têm carrinho de mercado no qual guardam todos os seus pertences. Enfim, elas gritaram, chamaram a polícia, mas não teve jeito. Os caras quebraram um pedaço de pau na cabeça do pobre homem, literalmente, e ele morreu no dia seguinte. A ambulância levou 40 min pra chegar, a polícia não deu muita atenção pois era indigente, aquela coisa.
Mas a história, que já era bizzarra o suficiente, teve um fim não sei se pior, mas reflexo do grau que as bizarrias podem atingir. Uma das meninas, a primeira a perceber tudo, desceu pra dar depoimento aos policiais. Estava nervosa, e quando foi entrar em casa pra pegar não sei o quê, torceu o pé. Como a ambulância já tinha demorado pacas em um caso de vida e morte, os policiais ofereceram uma carona pra deixá-la no hospital. Nisso, já havia helicóptero de emissora sobrevoando o local do crime, gente filmando, e quando ela entrou na viatura para pegar a carona para o hospital, filmaram a cena. Já conseguem supor o fim da história? A garota apareceu em um desses programa de Datena da vida como envolvida em tráfico de drogas, com a narração acontecendo enquanto a imagem dela entrando na viatura rola. Metonímia da deturpação diária que sofremos nos noticiários.
Enfim, ela está em dúvida se processa ou não a emissora. Eu quero incentivá-la, uma porque a imagem dela foi usada para difamá-la, outra porque esses programas vendem exatamente o sangue alheio como forma de ter audiência. No mínimo ela deveria exigir toda publicidade do dia como ressarcimento. O bom, se é que há algo bom, nessa história toda é que elas começaram a questionar tudo que a TV, inclusive os telejornais, passa. Se usam uma imagem pra criar uma narrativa (não tão) fantástica, imaginem o que fazem com aquilo que não é passível de ser apurado. Óbvio que elas sabem disso, mas o impacto quando é na própria pele é outro.
Fica aqui a história dela. No próximo volto com cinema, que é mais honesto que telejornais: ao menos é avisado que se está pagando por uma ficção. E, ao mesmo tempo, são mais verdadeiros. Ê laia, viu.
(Acho que foi no Datena mesmo, mas vou confimar; foi na Record ou Bandeirantes.)
Prólogo
October 22, 2009
Recentemente, assisti a dois filmes em cartaz. Se nada mais der certo e O Anticristo. Ontem alguns amigos da psicanálise estavam em casa e conversamos muito sobre o segundo. Como eu ainda não terminei de ver o segundo (grande sugestão do Jock de eu ver o filme em DVD), não podia opinar tanto, mas hoje já pensei em algumas idéias deles de que não quero me esquecer e por isso vou escrever. Pensei, ainda, em uma aproximação com a temática do filme brasileiro, que, aparentemente, nada tem em comum com o de Lars Von Trier. Sem dipensar o materialismo histórico, em influência que já a Thalita me deixou, cada filme traz a história de sujeitos que funcionam como alegorias de classes massacradas pelo seu entorno racionalista, que não só dispensa mas principalmente oprime as singularidades do sujeito. E sem dispensar o bom humor crítico do Stelio, lembremos que é só falar em singularidade e falta que 15 lacanianos se reúnem, como abelhas em torno do mel – pra usar uma metáfora mais bonita, mas não mais precisa, que a das moscas.
Falta a conclusão do Anticristo para eu ver, que dizem ser o mais importante. Assim que terminar, em breve, escrevo aqui sobre os dois filmes.
Obs. Vi também “Deixa ela entrar”. É um filme de vampiro emo, sensível. Tirando o fato cruel de (se você pretende ver, não continue lendo) o menino virar o lacaio dela no fim, como era o outro no começo.
A convidada, de Simone de Beauvoir
October 15, 2009
” É medo. Não de sua própria família, talvez, mas da liberdade; medo de romper com seus pequenos hábitos.”

(foto: Ana Luísa Moreira)
Do barro.
October 10, 2009

Às vezes, eu não sei bem o que fazer com as palavras. Mas não fico mal-humorada mais, não. Falta de palavra deixa a gente quieto, não por não querer dizer. Não é falta de palavra, é medo de saber o que está à espreita de ser dito. Pra remediar, inventei de ler poesia de criança. Poesia de passarinho. Poesia de Manoel de Barros. Quando as palavras não sabem se dizer na gente, a gente tem que inventar. Reinventar a infância das palavras, que nomearam o quase-tudo quando nada havia, alivia as dores da angústia. Faz até esquecer que é difícil fotografar o silêncio.
Não tenho bens de acontecimentos.
O que não sei fazer desconto nas palavras.
Entesouro frases. Por exemplo:
- Imagens são palavras que nos faltaram.
- Poesia é a ocupação da palavra pela imagem.
- Poesia é a ocupação da imagem pelo ser.
Ai frases de pensar!
Pensar é uma pedreira. Estou sendo.
Poetas e tontos se compõem com palavras…
***
Veio me dizer que eu desestruturo a linguagem
Eu desestruturo a linguagem? Vejamos: eu estou bem sentado num lugar. Vem uma palavra e tira o lugar de debaixo de mim. Tira o lugar em que eu estava sentado. Eu não fazia nada para que a palavra me desalojasse daquele lugar. E eu nem atrapalhava a passagem de ninguém. Ao retirar de debaixo de mim o lugar, eu desaprumei.
***
Venho de nobres que empobreceram.
Restou-me por fortuna a soberbia.
Com essa doença de grandezas:
Hei de monumentar os insetos!
(Cristo monumentou a Humildade quando beijou os pés dos seus discípulos.
São Francisco monumentou as aves.
Vieira os peixes.
Shakespeare, o amor, a dúvida os tolos.
Charles Chaplin monumentou os vagabundos.)
Com esta mania de grandeza:
Hei de monumentar as pobres coisas do chão mijadas de orvalho
Marcapasso.
September 30, 2009
Está tudo pronto. O coração bate, a temperatura muda, a garganta seca, parece não mais acostumada a dizer. Mas não incomoda. Não dessa forma. É tanto tempo sem dizer assim que no começo tropeçam. Já se disseram assim? Parece que aprendem uma nova língua. Um novo andar. Enganam-se até, ligam-se em um dialeto não mais usado. Mas se você prestar atenção, percebe o que é.
Um tombo, dois, três. Eles andam.

Querido diário,
September 24, 2009
Há tempos estou em falta com você. Sabe o que é, andava revisando muitos textos e aí não dava tempo de criar o próprio. É. Será que quem revê demais se pensa de menos? A gente se acostuma a escrever assim, em terceira pessoa, e quando vê já quase não usa mais o eu. É difícil se acostumar, as imprecisões vocabulares são muitas, dá medo de errar e, quando a gente menos espera, já está parando de escrever. Ou usando a terceira pessoa. E, agora, pergunto: escrever é um resgate ou uma novidade? Eu escrevia? Ou era o a gente? Agente da passiva? Um sujeito indeterminado? Inexistente não era. Não é só minha culpa, a academia recomenda banir a primeira pessoa do singular. Acata quem quer. Fura quem pode.

O ano da França no Brasil
September 17, 2009
Passava pela História semana passada e me chamou a atenção um debate que ocorria debaixo de um cartaz – daqueles enormes que eles colocam no meio do corredor – com a seguinte frase:
Eis o ano da França no Brasil: funcionário negro é espancado no estacionamento do Carrefour.
Todo mundo deve ao menos ter ouvido falar dessa história. Um homem negro, funcionário da Usp, esperava, dentro do carro, a esposa fazer compras com a cunhada no Carrefour. Ele estava no seu carro, acho que era um Eco Sport, cuidando da filha de dois anos, que dormia, quando ouviu um barulho e foi ver. Tentavam roubar uma moto, e ele afugentou os ladrões. Quando os seguranças do mercado o viram, acharam que ele era o ladrão. Ele foi espancado, levado pra uma sala, e não acreditavam quando ele dizia que era segurança da Usp e que o Eco Sport era dele.

Vou me abster de fazer discurso sobre a ausência ainda de debates sobre o preconceito e quanto eu acho ridícula essa história de que não há preconceito no Brasil. O primeiro passo para ao menos o debate existir é o reconhecimento da discriminação. O que eu quero ressaltar é uma fala que ouvi brevemente no debate , (infelizmente não sei quem eram os debatedores, pois estava de passagem) e vou tentar reproduzir:
– É uma bobagem isso de que não há raça, de que somos todos iguais, de que somos cidadãos do mundo. Como uma pessoa que não é nem cidadã de uma nação pode ser considerada cidadã do mundo? Pra eu poder fazer parte do mundo, eu tenho primeiro de fazer parte de um local [qualquer individualidade se forma assim]. Apagar as diferenças é uma perversidade que tenta construir uma falsa igualdade. [Depois ele citou um exemplo de quando Milton Santos recebeu na Usp professores estrangeiros, para intermediar um debate não sei onde, e não queriam deixá-lo entrar como professor, achando que só os outros eram professores.]
É difícil eu não escrever mais 5 parágrafos sobre isso, mas o efeito da frase é tão forte, que vou me controlar. Não tenho a liberdade do Tom Zé, mas também não preciso ser diplomática. Não é a primeira vez que seguranças do Carrefour agem violentamente. Eu não compro mais lá. O ano da França no Brasil não é só Matisse.
As mil faces do amor
September 10, 2009
Não, ainda não é um conto de amor. É muito mais atraente escolher uma má história de amor. Drummond já dizia que amar demanda tempo, que amor é privilégio dos maduros. Guimarães disse que amor vem de amor. Mas na prática, o que demanda tempo são os infortúnios do amor, e esta parece uma escolha quase eficaz. Tentarei explicar-me.
Por que o amor só é bom se doer? Amar é uma agonia. Uma agonia que só se cura com aquele mesmo que provocou essa agonia. Tautológico assim: aquele que me faz falta é a razão da própria falta. Tratando do mais universal dos temas e, no entanto, sempre o mais difícil de abordar, é quase inevitável a cada frase que escrevo não me lembrar de uma retratação do amor. Tristão e Isolda, Canto de Ossanha (o amor só é bom se doer), o amor mítico, sacrificial, presente não só no catolicismo mas com significação primordial nesta, são todos variações do mesmo tom. Todos falam de uma morte.
O amor implica uma pequena morte. Ou o reconhecimento da. Não ama quem não conhece a dor. E quem não conhece a dor se torna intransigente, arrogante, não admite qualquer possibilidade de falha alheia, não se identifica. O que o ingênuo-ditador não percebe é que é óbvio que se sabe das faltas: se não as houvesse, não seria tão difícil tolerá-las. Mas não querendo ver, exige-se, e, exigente, cria um desnível, uma hierarquia em que sempre o outro tem de melhorar, tem de ser tão bom quanto aquele que lhe diz. Condição para o seu amor. Daí a história bíblica de Jesus ser a encenação própria do mito. Somente com a compaixão, somente quando eu sei que sofro que eu posso tentar me aproximar do sofrimento alheio, e tolerá-lo. É a compaixão, a paixão àquele próximo tão diferente de mim, mas ao qual eu me identifico no seu mais íntimo sofrer.
Quando Tristão bebe a poção de amor pensando que era vinho e se apaixona por Isolda, reciprocamente, a ama de Isolda lhe diz que ele bebeu a própria morte. Ele responde que aceita isso. Ele aceita isso. É a primeira história de amor romântico ocidental, de que se tem notícia, e muito bela, porque o que ele está dizendo é, sim, eu sei que deparo com a minha morte, no entanto esse sentimento é tão sublime que mesmo sabendo do fim vale a pena vivê-lo. Eu aceito isso. O amor é o único sentimento que é maior que a morte, é o único sentimento que a faz valer a pena. Se você é capaz de amar (ao contrário do que se pensa, precisa-se aprender a) , é porque aprendeu a reconhecer a própria dor. O pressuposto é essa perda vitoriosa, não privilégio dos covardes, pois amar é reconhecer a própria falta. É dar a própria falta.
Hoje, a nossa sociedade tem sérios problemas pra lidar com as falhas, não percebe a positividade do negativo. Sempre tem de se ter mais, o melhor, um imperativo que deixa qualquer um que nele creia maluco, pois inatingível. Nunca o que faço será bom o suficiente – o suficiente é sempre mais exigente do que o que ofereço. Auto-afirmações, necessidade de reconhecimento constante, feminilidade levada ao extremo de tentar apagar a negatividade, tudo é colocado como preenchimento, como mais, como um renegar as suas faltas. É uma sociedade estruturada perversamente, que busca o imperativo do gozo. E as relações se tornam frágeis onde não devem ser, pois a fetichização levada ao extremo faz as pessoas também virarem mercadorias. Eu gostava de você, mas agora eu quero uma versão mais atualizada. Aquele é 2.0? O que vem nessa nova versão? A minha estava defasada. Escolher o ser amado é quase como comprar uma televisão nova.
Enquanto o reconhecimento da própria dor não acontecer, a tolerância ao outro também não se dá. Subterfúgios para não lidarmos com nós mesmos estão disponíveis em muitas versões, é só escolher a sua má história de amor. Divirta-se.